Histórias

"(...) O pior que há para a sensibilidade é pensarmos nela, e não com ela. Enquanto me desconheci ridículo, pude ter sonhos em grande escala. Hoje que sei quem sou, só me restam os sonhos que delibero ter. (...)" - Fernando Pessoa

5.3.07

A Bi-Sexualidade da Lua (ou re-post adaptado)

Eclipse 03.Mar.07 - By Marta

Às 21h30 lá estava eu de olhos postos no céu para testemunhar o amor proibido entre a terra e a lua. Aos poucos e sempre a medo, foram-se chegando uma à outra mais e mais, devagarinho como quem não quer afungentar o amor. Uns minutos mais tarde admiravam-se de perto, na plenitude que é possível a quem se quer sem se poder ter. A terra foi conquistando a lua, sem lhe tirar o brilho e desprovida de quaisquer pretensões, como convém a quem deseja. Durante uma hora, ficaram ali a trocar segredos para quem as quis ver. Depois, e tão devagar quanto chegou, a terra foi saindo subtilmente enquanto o lua lhe sussurrava:
"... Depois de te perder
te encontro concerteza.
Talvez no tempo da delicadeza
onde não diremos nada,
nada aconteceu.
Apenas seguirei, como encantado,
ao lado teu!"
(Chico Buarque)
A negação faz muitas vezes parte da despedida do amor e fecha à chave a oportunidade de viver um outro, pelo medo de novos amargos de boca. E cria fantasmas que lhe andam de mão dada e que impedem novas aproximações.
Muitas vezes achei que teria perdido a chave da porta que tranquei mas, metódica e organizada que sou, voltei a encontrá-la. Sacudi-lhe algum pó, meti-a na fechadura e rodei-a.
Do outro lado, há muita luz...
M.